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Alfabetização
23 de abril de 2019

 

 

 

 

ALFABETIZAÇÃO –  SEMPRE UM DESAFIO

 

Um pouco de história

 

Para quem acompanha a história da educação no Brasil, a alfabetização foi e tem sido um grande desafio, exceto durante o tempo em que as escolas recebiam um grupo muito restrito de alunos, quando ser analfabeto era até "natural”.

Com a abertura da escola para todos, a questão da alfabetização aflorou. O que era simples tornou-se algo complicado: por que algumas (muitas) crianças não se alfabetizavam? Por que a metodologia, até então utilizada, não dava resultados? Os índices de evasão e repetência tornaram-se alarmantes e políticas educacionais surgiram buscando solucionar a questão, mas o analfabetismo foi tratado como sintoma de uma doença chamada "carência", "defasagem", "déficit" – a criança trazia em si a incompetência e uma série de “dis" (disritmia, dislalia, disfonia, discalculia …). O analfabetismo era um problema médico.

Pesquisas educacionais trouxeram novas informações e possibilidades de se obter resultados de qualidade no processo de alfabetização. Ficou claro que cada criança é única, que o autoconceito positivo alavanca o sucesso, que o fator tempo deve ser considerado e a intervenção deve ser uma constante.

Com um novo jeito de envolver as crianças no mundo letrado, muitas começaram lendo mais cedo. O que antes era uma raridade ou considerado uma consequência de mentes privilegiadas, tornou-se um fato comum: crianças lendo ainda na pré-escola.

Este fato trouxe consigo consequências sérias. Novamente, as crianças que chegavam aos sete anos não alfabetizadas eram discriminadas e um caos tomava conta das escolas: crianças que estão na escola há mais de dois anos não leem e não se sabe o que fazer com elas. O que fazer para minimizar o problema e ou eliminá-lo?

Algumas políticas muito interessantes foram implementadas. A reorganização do tempo escolar – os ciclos – a liberdade metodológica, a formação continuada dos professores. Mas a mudança de paradigma era e é muito exigente e leva tempo. Assim, o imediatismo e o desejo de se ter uma escola "forte" conduziram a algumas práticas estressantes: Vestibulinho para as crianças de seis anos, treinamentos em algumas escolas de educação infantil para uma "falsa " alfabetização.

 

Atualidade

 

Hoje não temos mais Vestibulinho. As crianças de seis anos estão no fundamental. Temos o Pacto pela Educação e Alfabetização no Tempo Certo: políticas educacionais tentando resolver a questão.

Muitas políticas têm sido adotadas, mas nenhuma delas alcançou o sucesso devido, a meu ver, por uma simples razão: não são apenas as políticas que resolverão o problema da leitura no país e, sim, um trabalho de alfabetização que envolva todos os educadores de cada escola e todos os espaços de aprendizagem. Não se aprende a ler maciçamente, em um mesmo tempo. Os ambientes, as experiências, o desejo, as relações diferem.

Há de se planejar o tempo e as ações porque não basta querer alfabetizar. Tem que se definir o que se quer, em quais condições e como fazê-lo. Investir nos principais elementos envolvidos pelo processo de alfabetização: as crianças, a língua, o processo educativo e o alfabetizador.

É necessário conhecer a criança como pessoa em desenvolvimento e que anseia em aprender a ler. Identificar o seu universo cultural é determinante para a organização do processo educativo: em que ambiente ela vive? Que dialeto utiliza na fala? É curiosa, segura, arrisca-se, tem desejo de aprender ou, ao contrário, tem medo, autoestima baixa, acredita ser incompetente?

Para alfabetizar não se pode considerar a turma e sim cada criança. Mapear a realidade do grupo vai indicar caminhos: principais diferenças, pontos comuns, projetos de vida, desejos, expectativas – diagnóstico individual e coletivo.

Definir: o que devo fazer para que ela(s) obtenha(m) sucesso?

O alfabetizador, enquanto orientador do processo: que experiência tem? O que conhece sobre crianças, sobre a língua e o processo de aprender? Que conceito tem sobre ler e escrever?

Se o alfabetizador já tem alguma experiência, tem que fazer uma avaliação do que já realizou: o que a experiência lhe diz, como estão as crianças nos anos posteriores, o que aprendeu com as diferenças entre elas. É importante parar e pensar na organização do trabalho: renovação ou manutenção do material já utilizado – porque e para que – necessidade de estudar/pesquisar novos caminhos, como enfrentar as maiores dificuldades. Como e quando realizar intervenções.

Durante o processo, avaliar se está satisfeito com o resultado ou se, necessitando, tem buscado ajuda (quando, a quem, como?).

Proposta 1

Por que não investir na formação continuada dos professores? Não só os chamados alfabetizadores, mas todos porque todos são alfabetizadores, no sentido amplo da formação de leitores: aprende-se a ler lendo, em todos os lugares, com todas as pessoas e em qualquer tempo.

Concluindo

Ler e escrever são exigências da nossa cultura. A sociedade tem obrigação de prover meios para que ela se dê de forma qualitativa e para todos. Afinal, ler é uma habilidade de sobrevivência.

Pergunta-se:

Quando a alfabetização acontecerá sem traumas e medos?

Quando a alfabetização será respeitada enquanto processo que requer tempo, querer, alegria, seriedade, respeito e compreensão do significado de "estar alfabetizado"?

Proposta 2

Professores/educadores, que tal formar uma rede nacional em prol da melhoria do trabalho docente na formação de leitores?

Professores/educadores e alunos merecem o melhor!

 

 

 

 

 

 

 

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Aislan Munin
Pai da Liz. Membro cooperado do Portal da Educadora, Estudou Ciências Sociais na PUCSP e FESPSP, autodidata em Sistemas Web, uniu as duas áreas trabalhando como sócio-educador lecionando Introdução a Informática.