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Boas notícias – por José Pacheco
24 de abril de 2019

O novo ministro da educação diz-nos que na educação como na cultura, não há limite: sempre se pode descobrir ou inventar mais (…) Cada vez mais, a educação deverá se culturalizar, deixando de seguir currículos rígidos. Quero acreditar que tais declarações

O novo ministro da educação diz-nos que na educação como na cultura, não há limite: sempre se pode descobrir ou inventar mais (…) Cada vez mais, a educação deverá se culturalizar, deixando de seguir currículos rígidos. Quero acreditar que tais declarações se constituam num bom augúrio e que o mandato do novo ministro por elas se paute. Mas as boas novidades não se quedam por aqui… O equinócio de Março parece ter aberto uma Caixa de Pandora, não de desgraças, mas de prodígios.

Em Portugal, diretores de escola reconheceram que a retenção não resolve o problema do insucesso. E o Conselho Nacional de Educação recomendou o fim das reprovações. Esta não é a única entidade a alertar para as consequências negativas da retenção. O estudo “Retenção Escolar no Ensino Básico em Portugal” conclui que os alunos que reprovam não retiram qualquer benefício de terem ficado retidos e obtêm piores resultados no PISA do que teriam obtido, se não tivessem repetido o ano. Por seu turno, a Comissão Europeia critica a “cultura da retenção” afirmando que a “bomba” deve ser substituída por respostas a dificuldades de aprendizagem, enquanto um especialista corrobora esse parecer, acrescentando que é o próprio modelo de ensino que promove o insucesso: Estamos a preparar os alunos da mesma forma que preparávamos há cinquenta, ou cem anos, baseando o ensino exclusivamente na capacidade de reproduzir conteúdos. Ensinamos tudo a todos da mesma maneira e ao mesmo tempo, o que já não faz qualquer sentido.

Em muitas escolas portuguesas e brasileiras, uma rede de projetos discretamente se prefigura, esboçando novas construções sociais de aprendizagem, à semelhança de uma Finlândia, que esboça o abandono do tradicional ensino por disciplinas. No novo modelo, que será aplicado nesse país por volta de 2020, todos os assuntos estarão interligados. Entretanto, o Ministério da Educação francês lançou uma reforma assente em três pilares: flexibilidade, autonomia e interdisciplinaridade. Essa reforma sustenta que as escolas devem alterar a sua forma de ensinar, dando mais importância aos trabalhos de projeto, aos trabalhos de grupo e proporcionando aos alunos oportunidades de procurar relacionar a sua aprendizagem com aspetos práticos do quotidiano, tornando as suas aprendizagens úteis, coerentes e significativas. O ministério classifica a sua reforma como uma “refundação da escola”.

Outra grata surpresa veio da Catalunha. Os colégios jesuítas dispensaram aulas e testes, eliminaram cursos, exames e horários. Derrubararm as paredes de suas salas de aula e criaram grandes espaços de trabalho em equipe, onde se adquire conhecimentos através de projetos, com acesso a novas tecnologias. Um alto responsável jesuíta afirmou: Em vez de olhar para o diário oficial, olhamos para o rosto das crianças e ajudámo-los a desenvolver os seus projetos de vida, para descobrirem os seus talentos. Juntamente com a família e a internet, procuramos construir pessoas.

São boas as notícias. Por estas e por outras, mantenho a esperança de que o MEC delas tome conhecimento e faça aquilo que é preciso fazer.

O novo ministro da educação diz-nos que na educação como na cultura, não há limite: sempre se pode descobrir ou inventar mais (…) Cada vez mais, a educação deverá se culturalizar, deixando de seguir currículos rígidos. Quero acreditar que tais declarações se constituam num bom augúrio e que o mandato do novo ministro por elas se paute. Mas as boas novidades não se quedam por aqui… O equinócio de Março parece ter aberto uma Caixa de Pandora, não de desgraças, mas de prodígios.

Em Portugal, diretores de escola reconheceram que a retenção não resolve o problema do insucesso. E o Conselho Nacional de Educação recomendou o fim das reprovações. Esta não é a única entidade a alertar para as consequências negativas da retenção. O estudo “Retenção Escolar no Ensino Básico em Portugal” conclui que os alunos que reprovam não retiram qualquer benefício de terem ficado retidos e obtêm piores resultados no PISA do que teriam obtido, se não tivessem repetido o ano. Por seu turno, a Comissão Europeia critica a “cultura da retenção” afirmando que a “bomba” deve ser substituída por respostas a dificuldades de aprendizagem, enquanto um especialista corrobora esse parecer, acrescentando que é o próprio modelo de ensino que promove o insucesso: Estamos a preparar os alunos da mesma forma que preparávamos há cinquenta, ou cem anos, baseando o ensino exclusivamente na capacidade de reproduzir conteúdos. Ensinamos tudo a todos da mesma maneira e ao mesmo tempo, o que já não faz qualquer sentido.

Em muitas escolas portuguesas e brasileiras, uma rede de projetos discretamente se prefigura, esboçando novas construções sociais de aprendizagem, à semelhança de uma Finlândia, que esboça o abandono do tradicional ensino por disciplinas. No novo modelo, que será aplicado nesse país por volta de 2020, todos os assuntos estarão interligados. Entretanto, o Ministério da Educação francês lançou uma reforma assente em três pilares: flexibilidade, autonomia e interdisciplinaridade. Essa reforma sustenta que as escolas devem alterar a sua forma de ensinar, dando mais importância aos trabalhos de projeto, aos trabalhos de grupo e proporcionando aos alunos oportunidades de procurar relacionar a sua aprendizagem com aspetos práticos do quotidiano, tornando as suas aprendizagens úteis, coerentes e significativas. O ministério classifica a sua reforma como uma “refundação da escola”.

Outra grata surpresa veio da Catalunha. Os colégios jesuítas dispensaram aulas e testes, eliminaram cursos, exames e horários. Derrubararm as paredes de suas salas de aula e criaram grandes espaços de trabalho em equipe, onde se adquire conhecimentos através de projetos, com acesso a novas tecnologias. Um alto responsável jesuíta afirmou: Em vez de olhar para o diário oficial, olhamos para o rosto das crianças e ajudámo-los a desenvolver os seus projetos de vida, para descobrirem os seus talentos. Juntamente com a família e a internet, procuramos construir pessoas.

São boas as notícias. Por estas e por outras, mantenho a esperança de que o MEC delas tome conhecimento e faça aquilo que é preciso fazer.

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Aislan Munin
Pai da Liz. Membro cooperado do Portal da Educadora, Estudou Ciências Sociais na PUCSP e FESPSP, autodidata em Sistemas Web, uniu as duas áreas trabalhando como sócio-educador lecionando Introdução a Informática.