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Com que régua medimos nossas crianças?
24 de abril de 2019

A medicalização tem uma resposta clara a essa pergunta e delimita um perfil de estudante como alguém que pouco se mexe na carteira, que não presta atenção em nada que não seja o professor, que não pode ser expansivo, sequer falar alto, correr e que precis

Que escola queremos construir e oferecer para as atuais gerações?

A medicalização tem uma resposta clara a essa pergunta e delimita um perfil de estudante como alguém que pouco se mexe na carteira, que não presta atenção em nada que não seja o professor, que não pode ser expansivo, sequer falar alto, correr e que precisa brincar calmamente, que deve ter seus sentimentos controlados por meio de medicamentos, que não é ouvido no seu sofrimento e nos seus anseios.

Este modelo de estudante se faz presente nos manuais diagnósticos e nas escalas de avaliação que, aos borbotões, estão sendo utilizadas para “avaliar” a atenção e a atividade de crianças e adolescentes em nome “do bom desempenho escolar”. Na chamada “sociedade do conhecimento”, adestramos nossos estudantes, contemos seus movimentos, impedimos que atuem criticamente e se manifestem. Impedimos que sejam criativos, contestadores, carinhosos, interessados, curiosos.

Da dislexia ao transtorno de oposição desafiadora, passando pelos transtornos de déficit de atenção e hiperatividade, desconhecemos as nossas crianças, seus anseios, suas necessidades, pouco ouvimos a respeito do que dizem, do que pensam, do que querem! Reproduzimos formas de compreender os pequenos que fazíamos em outras épocas da história. Utilizamos uma régua que mede o que queremos medir. Nós inventamos essa régua, delimitamos os devires, impedimos o novo, o diferente, o diverso e desqualificamos a história, apenas avaliando comportamentos.

No Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade, professores, psicólogos, antropólogos, médicos, fonoaudiólogos, nutricionistas, farmacêuticos, enfermeiros, biólogos, físicos, montanhistas, pais e mães procuram compreender com mais clareza as formas de viver, de educar, de estar no mundo e lutam por uma sociedade mais justa, menos desigual.

Constituído por mais de 40 entidades da sociedade civil e centenas de participantes, que assinaram o seu Manifesto, este Fórum é um coletivo que tem atuado fortemente no enfrentamento do fenômeno da medicalização, mobilizando a sociedade para a crítica à medicalização da aprendizagem e do comportamento, visando esclarecer os processos que transformam questões de ordem social e política em patologias atribuídas a crianças, adolescentes e adultos. Enquanto instrumento político, tem denunciado o mercado de medicamentos e de diagnósticos que retiram da política pública o seu compromisso com as finalidades da Educação.

Tem se debruçado sobre a “Era dos Transtornos” em que vivemos, esta “onda medicalizante”, buscando alternativas, esclarecimentos sobre o tema, sistematizando dados de pesquisa que nos ajudem a entendê-la, bem como se articulando internacionalmente com movimentos contra a medicalização que estão se desenvolvendo em países da América Latina (Argentina, Uruguai, Chile, Costa Rica), da Europa (França, Espanha e Portugal) e da América do Norte (EUA).

Por meio de seus grupos de trabalho, o Fórum vem também organizando documentos propositivos, como as “Recomendações de Práticas não medicalizantes para profissionais e serviços de Educação e de Saúde”, que se encontra disponível online em seu sitio virtual (www.medicalizacao.org.br), assim como farto material documental e informativo: artigos, vídeos e indicações bibliográficas.

Que escola queremos construir e oferecer para as atuais gerações?

A medicalização tem uma resposta clara a essa pergunta e delimita um perfil de estudante como alguém que pouco se mexe na carteira, que não presta atenção em nada que não seja o professor, que não pode ser expansivo, sequer falar alto, correr e que precisa brincar calmamente, que deve ter seus sentimentos controlados por meio de medicamentos, que não é ouvido no seu sofrimento e nos seus anseios.

Este modelo de estudante se faz presente nos manuais diagnósticos e nas escalas de avaliação que, aos borbotões, estão sendo utilizadas para “avaliar” a atenção e a atividade de crianças e adolescentes em nome “do bom desempenho escolar”. Na chamada “sociedade do conhecimento”, adestramos nossos estudantes, contemos seus movimentos, impedimos que atuem criticamente e se manifestem. Impedimos que sejam criativos, contestadores, carinhosos, interessados, curiosos.

Da dislexia ao transtorno de oposição desafiadora, passando pelos transtornos de déficit de atenção e hiperatividade, desconhecemos as nossas crianças, seus anseios, suas necessidades, pouco ouvimos a respeito do que dizem, do que pensam, do que querem! Reproduzimos formas de compreender os pequenos que fazíamos em outras épocas da história. Utilizamos uma régua que mede o que queremos medir. Nós inventamos essa régua, delimitamos os devires, impedimos o novo, o diferente, o diverso e desqualificamos a história, apenas avaliando comportamentos.

No Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade, professores, psicólogos, antropólogos, médicos, fonoaudiólogos, nutricionistas, farmacêuticos, enfermeiros, biólogos, físicos, montanhistas, pais e mães procuram compreender com mais clareza as formas de viver, de educar, de estar no mundo e lutam por uma sociedade mais justa, menos desigual.

Constituído por mais de 40 entidades da sociedade civil e centenas de participantes, que assinaram o seu Manifesto, este Fórum é um coletivo que tem atuado fortemente no enfrentamento do fenômeno da medicalização, mobilizando a sociedade para a crítica à medicalização da aprendizagem e do comportamento, visando esclarecer os processos que transformam questões de ordem social e política em patologias atribuídas a crianças, adolescentes e adultos. Enquanto instrumento político, tem denunciado o mercado de medicamentos e de diagnósticos que retiram da política pública o seu compromisso com as finalidades da Educação.

Tem se debruçado sobre a “Era dos Transtornos” em que vivemos, esta “onda medicalizante”, buscando alternativas, esclarecimentos sobre o tema, sistematizando dados de pesquisa que nos ajudem a entendê-la, bem como se articulando internacionalmente com movimentos contra a medicalização que estão se desenvolvendo em países da América Latina (Argentina, Uruguai, Chile, Costa Rica), da Europa (França, Espanha e Portugal) e da América do Norte (EUA).

Por meio de seus grupos de trabalho, o Fórum vem também organizando documentos propositivos, como as “Recomendações de Práticas não medicalizantes para profissionais e serviços de Educação e de Saúde”, que se encontra disponível online em seu sitio virtual (www.medicalizacao.org.br), assim como farto material documental e informativo: artigos, vídeos e indicações bibliográficas.

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Aislan Munin
Pai da Liz. Membro cooperado do Portal da Educadora, Estudou Ciências Sociais na PUCSP e FESPSP, autodidata em Sistemas Web, uniu as duas áreas trabalhando como sócio-educador lecionando Introdução a Informática.