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Dever de casa – que compromisso é esse?
23 de abril de 2019

Todas as escolas têm como uma de suas atividades obrigatórias o “Dever de casa”/ o “Para casa”.

É algo tão forte que até a comunidade se espanta e cobra quando o dever se suaviza ou deixa de acontecer. Mas, o que é e para que serve o “Dever de casa”?

Nos primórdios da história da escolaridade, não se dava “Dever de casa” – estudava-se em casa e a família era o principal responsável pela aprendizagem das crianças. As de melhor poder econômico contratavam preceptores, pedagogos para ensinar às crianças. As lições eram de casa e em casa.

Com o surgimento das escolas, as famílias mantiveram como obrigação sua acompanhar o desempenho de seus filhos, cobrando-lhes tarefas extra –  escolares, isto é, um tempo de estudo a partir e além do que a escola vinha ensinando, porque o ensino era centrado em uma relação unilateral: o professor ensinava e o aluno demonstrava que havia aprendido – repetia as lições e, por isso tinha que estudar muito para memorizá-las, pois seriam cobradas nas sabatinas. O aprender era de responsabilidade exclusiva do aluno e de sua família. Com isso, consolidou-se na sociedade que sem muito dever de casa, e, preferencialmente, bem difícil, a criança não aprende “as lições” e muito menos a estudar.

Mas, os tempos mudaram, pesquisas aconteceram e o que se sabe hoje é que o aprender com qualidade exige a participação ativa e responsável do maior interessado que é o aluno, tanto em sala de aula quanto em casa. Com o advento da LDB 5692/71 e da atual, 9394/96, que no Título II – Dos Princípios e Fins da Educação Nacional, art.2º afirma e reafirma a “educação como dever da família e do Estado”, tendo como finalidade “o pleno desenvolvimento do educando”, o “Dever de casa” ganhou uma nova forma: é tarefa do aluno.

Tem como objetivo principal contribuir para o desenvolvimento moral dele, isto é, cumprir com uma obrigação que é sua e assumir a responsabilidade pela qualidade na realização da tarefa e as consequências pela sua não realização. É a construção do senso de responsabilidade, da formação do cidadão. O dever de casa deve ser de tal forma organizado que garanta sucesso em sua realização, dentro de um compromisso contratado entre professor e aluno. Essa tarefa é do aluno e para o aluno. Aos pais cabe prover local, tempo e material adequado para sua realização e uma parceria de cumplicidade. Apoiar a criança, ajudá-la a se sentir segura, a pensar, mas nunca tomar seu lugar ou ensiná-la a ludibriar, a inventar desculpas, dizer que o professor não ensinou … Pais que fazem o dever pelo filho estão lhe ensinando que os compromissos podem ser delegados a terceiros, que não precisam ser respeitados. Se a criança se mostrar descompromissada, recusar-se a fazer o “Dever”, ela deve enfrentar as consequências de seu ato: irá para a aula sem ele, sem desculpas inventadas; terá que entender-se com seu professor. Se o dever encaminhado estiver impossível de ser realizado pela criança, ele deve ser devolvido à escola, com as devidas observações da família.

A previsão da parceria dos pais na realização de uma tarefa ou outra é muito interessante porque provoca a cumplicidade entre pais e filhos: um jogo, assistir a uma peça teatral, a construção de maquete … algo que os pais podem estar juntos, sem fazer pelo filho, mas participando com ele.

O “Dever de casa”/ o “Para casa” é compromisso do aluno consigo e com a escola.

 

Ângela Franco

 

Assessora e Consultora Educacional   

   e-mail: zanzalima@hotmail.com

 

 

 

 

Mas, os tempos mudaram, pesquisas aconteceram e o que se sabe hoje é que o aprender com qualidade exige a participação ativa e responsável do maior interessado que é o aluno, tanto em sala de aula quanto em casa. Com o advento da LDB 5692/71 e da atual, 9

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Aislan Munin
Pai da Liz. Membro cooperado do Portal da Educadora, Estudou Ciências Sociais na PUCSP e FESPSP, autodidata em Sistemas Web, uniu as duas áreas trabalhando como sócio-educador lecionando Introdução a Informática.