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Era uma vez uma TV
24 de abril de 2019

Lembro bem quando a primeira televisão entrou na minha vida. As imagens eram irreconhecíveis, cheias de chuviscos, mas mesmo assim minha mãe logo a apelidou de “a desintegradora do lar”, afinal passamos a gastar tempo olhando a TV ao invés das conversas e

Lembro bem quando a primeira televisão entrou na minha vida. As imagens eram irreconhecíveis, cheias de chuviscos, mas mesmo assim minha mãe logo a apelidou de "a desintegradora do lar", afinal passamos a gastar tempo olhando a TV ao invés das conversas em volta da mesa de jantar.

Eu bem lembro também da minha mãe chegando da feira com uma galinha viva presa pelos pés. Degolar a ave era um ritual praticado longe das crianças, quando percebíamos o ensopado estava pronto. O mundo mudou tanto! – agora eu ando de supermercado em supermercado atrás de frango "orgânico" para os meus netos.

A modernidade dos aparelhos elétricos proporcionou conforto para as famílias, especialmente para as dona de casa.  Depois chegaram os eletrônicos e os comportamentos mudaram ainda mais. Afinal, quem nunca levou o celular para a cama com a desculpa de que vai servir como despertador e, antes de dormir, deu uma conferida no Facebook ou no Instagram? E o que seria uma visualização rápida, acaba tomando muito do tempo que deveria ser para o descanso. Nosso cotidiano está sendo invadido e influenciado pela onipresença da tecnologia. Devemos ficar atentos, pois a fobia social e a depressão são sintomas de doenças que estão por trás do uso exagerado de celulares, notebooks e outros eletrônicos.

Outro dia ouvi a seguinte história: “ Eu estava amamentando o meu bebê (10 meses) enquanto no meu celular passeava pelo Facebook. Curti e comentei o nascimento do bebê de uma amiga e me assustei que em seguida ela curtiu meu comentário. Pensei que tinha sido rápido demais pra quem tivera um bebê há algumas horas e confesso, censurei sua atitude.  De repente a pequenina mão do meu filho alcançou meu rosto buscando atenção… Fiquei tão comovida! Joguei o celular em cima da cama e silenciosamente me desculpei com meu filho prometendo a mim mesma que procuraria prestar mais atenção ao que fizemos juntos.”

E, outra história:  “ Quando nasceu nossa segunda filha, começamos a colocar a primeira de 14 meses, no berço com o Ipad.  Ela gostava e isso gerava a tranquilidade que precisávamos para cuidar da pequenina. Com o passar dos meses observamos um desempenho muito acima de nossas expectativas. Aquilo nos encantou! Porém, aos três anos de idade nos preocupamos porque ela ainda não falava quase nada. O pediatra orientou que procurássemos um neurologista, que nada descobriu. Uma tia idosa sugeriu que colocássemos numa escola, para que tivesse contato com outras crianças.  Aos poucos, nossa menina está começou a falar.”

São inegáveis as vantagens proporcionadas pela tecnologia. Contudo, o que coloco em pauta nesse momento é o que estamos perdendo.  E, na minha opinião estamos perdendo a conexão direta e não virtual. Perdemos em contato, em aprofundamento de relações, em carinho… não há o olho no olho… não há percepção de sutilezas faciais e corporais…  e também perdem-se oportunidades que não voltam mais, quando se trata das crianças, que ficam à margem das conversas virtuais e vão crescendo tão rapidamente.

Lembro bem quando a primeira televisão entrou na minha vida. As imagens eram irreconhecíveis, cheias de chuviscos, mas mesmo assim minha mãe logo a apelidou de "a desintegradora do lar", afinal passamos a gastar tempo olhando a TV ao invés das conversas em volta da mesa de jantar.

Eu bem lembro também da minha mãe chegando da feira com uma galinha viva presa pelos pés. Degolar a ave era um ritual praticado longe das crianças, quando percebíamos o ensopado estava pronto. O mundo mudou tanto! – agora eu ando de supermercado em supermercado atrás de frango "orgânico" para os meus netos.

A modernidade dos aparelhos elétricos proporcionou conforto para as famílias, especialmente para as dona de casa.  Depois chegaram os eletrônicos e os comportamentos mudaram ainda mais. Afinal, quem nunca levou o celular para a cama com a desculpa de que vai servir como despertador e, antes de dormir, deu uma conferida no Facebook ou no Instagram? E o que seria uma visualização rápida, acaba tomando muito do tempo que deveria ser para o descanso. Nosso cotidiano está sendo invadido e influenciado pela onipresença da tecnologia. Devemos ficar atentos, pois a fobia social e a depressão são sintomas de doenças que estão por trás do uso exagerado de celulares, notebooks e outros eletrônicos.

Outro dia ouvi a seguinte história: “ Eu estava amamentando o meu bebê (10 meses) enquanto no meu celular passeava pelo Facebook. Curti e comentei o nascimento do bebê de uma amiga e me assustei que em seguida ela curtiu meu comentário. Pensei que tinha sido rápido demais pra quem tivera um bebê há algumas horas e confesso, censurei sua atitude.  De repente a pequenina mão do meu filho alcançou meu rosto buscando atenção… Fiquei tão comovida! Joguei o celular em cima da cama e silenciosamente me desculpei com meu filho prometendo a mim mesma que procuraria prestar mais atenção ao que fizemos juntos.”

E, outra história:  “ Quando nasceu nossa segunda filha, começamos a colocar a primeira de 14 meses, no berço com o Ipad.  Ela gostava e isso gerava a tranquilidade que precisávamos para cuidar da pequenina. Com o passar dos meses observamos um desempenho muito acima de nossas expectativas. Aquilo nos encantou! Porém, aos três anos de idade nos preocupamos porque ela ainda não falava quase nada. O pediatra orientou que procurássemos um neurologista, que nada descobriu. Uma tia idosa sugeriu que colocássemos numa escola, para que tivesse contato com outras crianças.  Aos poucos, nossa menina está começou a falar.”

São inegáveis as vantagens proporcionadas pela tecnologia. Contudo, o que coloco em pauta nesse momento é o que estamos perdendo.  E, na minha opinião estamos perdendo a conexão direta e não virtual. Perdemos em contato, em aprofundamento de relações, em carinho… não há o olho no olho… não há percepção de sutilezas faciais e corporais…  e também perdem-se oportunidades que não voltam mais, quando se trata das crianças, que ficam à margem das conversas virtuais e vão crescendo tão rapidamente.

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Aislan Munin
Pai da Liz. Membro cooperado do Portal da Educadora, Estudou Ciências Sociais na PUCSP e FESPSP, autodidata em Sistemas Web, uniu as duas áreas trabalhando como sócio-educador lecionando Introdução a Informática.