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Escola e Relacionamento com os pais
24 de abril de 2019

Um determinado curso gratuito pela internet propõe estratégias para solucionar os maiores problemas, segundo pesquisa realizada pelo mesmo curso, enfrentados pelos professores com os pais dos alunos: “63 % dos professores sentem como maior problema a falt

Um determinado curso gratuito pela internet propõe estratégias para solucionar os maiores problemas, segundo pesquisa realizada pelo mesmo curso,  enfrentados pelos professores com os pais dos alunos: “63 % dos professores sentem como maior problema a falta de interesse e participação dos Pais na aprendizagem dos filhos; 25 % a falta de apoio dos Pais ao trabalho do Professor  e 12 % os pais que não comparecem às Reuniões”.

Conforme fui lendo fui discordando, discordando, até que me senti indignada e resolvi escrever para que fique registrada minha indignação.  Ao ler o que o tal curso sugere, lembrei-me daquelas descrições etnocêntricas de História do Brasil e da América quando os colonizadores brancos falavam e descreviam sobre a preguiça dos indígenas,

Entre todas as estratégias que me indignaram, quero aqui, analisar esta:

“Sugestão: No processo educativo existem três personagens: Professor, Aluno, Família. Professor trace na próxima Reunião Pedagógica as tarefas que cada um tem que cumprir durante o Bimestre para que haja resultados favoráveis na aprendizagem do aluno.

Desta forma, ficará claro qual o papel de cada um, será fácil cobrar todos os envolvidos e mensurar os resultados. Dê uma cópia desta Lista de Responsabilidades para a Família e outra para o Aluno.

Agindo assim o Professor focará na execução da parte que lhe cabe e realizará apenas o monitoramento das outras duas partes.”

Fiquei pensando o quanto o descrito acima coloca o professor como superior aos outros dois personagens: família e aluno. Tal superioridade lhe dá poderes como “traçar tarefas”, “cobrar”, “mensurar” e “monitorar” os inferiores. Além desta relação desigual, a tal “sugestão” divide a aprendizagem do aluno em partes distintas dando a cada um a responsabilidade por sua parte isoladamente e ao professor o papel de elo que promove a união dos três personagens.

É interessante como ao mesmo tempo em que o professor é elo e detém o poder, também é uma perna do tripé. No meu entender tudo muito centralizado no professor e em uma visão mecanicista como se o comportamento humano fosse um processo automático de ação e reação.

As palavras “cada um tem que cumprir durante o Bimestre para que haja resultados favoráveis na aprendizagem” demonstra muito claramente como o insucesso no aprendizado é relacionado a desestrutura ou à incompetência da família em realizar seu papel de apoio pedagógico.

Será que os autores deste curso de orientação aos professores nunca ouviram falar em democracia, diálogo, parceria, vínculo afetivo, roda de conversa e outros vocábulos e práticas que devem fazer parte numa relação entre pais, mestres e alunos?

Reunião Pedagógica com os pais? Sugiro que comecem mudando o nome. Chamem de Encontro uma vez que o termo “encontrar”, faz referência a “achar” – respostas, soluções ou problemas no campo que nos ocupa -, deriva da verbalização da expressão in contra. Assim, ”encontrar” é, literalmente, “topar com algo”. (Oculto das Palavras – Dicionário etimológico para ensinar e aprender)

Aproveitem para criar um canal de comunicação entre um ENCONTRO e outro e acolham os palpites e desejos dos pais sobre os assuntos a serem discutidos para que os três personagens, juntos, aprendam e convivam com a construção de um presente mais pacífico, mais humano e mais participativo.

O tipo de Reunião Pedagógica preconizada pelo curso de orientação e formação de professores é, sem dúvida, um grande alimentador e perpetuador deste sistema de ensino elitista que vigora em nosso país desde o século XIX.

Colocar sobre a família e o seu membro mais novo a responsabilidade pelo aprendizado e desenvolvimento do educando é a melhor maneira de continuarmos a ter um sistema educacional exclusivo que descarta anualmente três milhões de jovens estudantes para fora da escola. Este sistema perpetua a filosofia “filho de peixe, peixinho é”, assim como enche de carros último tipo e caríssimos os estacionamentos das universidades públicas e de carros velhos e ônibus as ruas das faculdades particulares.

Convocar a família para uma Reunião Pedagógica e dizer a ela que é necessário se estruturar, se modificar, se ajustar e se capacitar para auxiliar e acompanhar o aprendizado do filho, pois, caso contrário, sem os três pés equilibrados nada poderá ser feito, assemelha-se ao gesto de Pôncio Pilatos que “mandando vir água, lavou as mãos diante da multidão e declarou: Sou inocente deste sangue, isso é lá convosco”. (Mateus 27:24).

Quem sabe esta é uma versão século XXI da crucificação de nossas crianças e adolescentes em nome da não aceitação do modus operandi da nova família que ora se configura.

Um determinado curso gratuito pela internet propõe estratégias para solucionar os maiores problemas, segundo pesquisa realizada pelo mesmo curso,  enfrentados pelos professores com os pais dos alunos: “63 % dos professores sentem como maior problema a falta de interesse e participação dos Pais na aprendizagem dos filhos; 25 % a falta de apoio dos Pais ao trabalho do Professor  e 12 % os pais que não comparecem às Reuniões”.

Conforme fui lendo fui discordando, discordando, até que me senti indignada e resolvi escrever para que fique registrada minha indignação.  Ao ler o que o tal curso sugere, lembrei-me daquelas descrições etnocêntricas de História do Brasil e da América quando os colonizadores brancos falavam e descreviam sobre a preguiça dos indígenas,

Entre todas as estratégias que me indignaram, quero aqui, analisar esta:

“Sugestão: No processo educativo existem três personagens: Professor, Aluno, Família. Professor trace na próxima Reunião Pedagógica as tarefas que cada um tem que cumprir durante o Bimestre para que haja resultados favoráveis na aprendizagem do aluno.

Desta forma, ficará claro qual o papel de cada um, será fácil cobrar todos os envolvidos e mensurar os resultados. Dê uma cópia desta Lista de Responsabilidades para a Família e outra para o Aluno.

Agindo assim o Professor focará na execução da parte que lhe cabe e realizará apenas o monitoramento das outras duas partes.”

Fiquei pensando o quanto o descrito acima coloca o professor como superior aos outros dois personagens: família e aluno. Tal superioridade lhe dá poderes como “traçar tarefas”, “cobrar”, “mensurar” e “monitorar” os inferiores. Além desta relação desigual, a tal “sugestão” divide a aprendizagem do aluno em partes distintas dando a cada um a responsabilidade por sua parte isoladamente e ao professor o papel de elo que promove a união dos três personagens.

É interessante como ao mesmo tempo em que o professor é elo e detém o poder, também é uma perna do tripé. No meu entender tudo muito centralizado no professor e em uma visão mecanicista como se o comportamento humano fosse um processo automático de ação e reação.

As palavras “cada um tem que cumprir durante o Bimestre para que haja resultados favoráveis na aprendizagem” demonstra muito claramente como o insucesso no aprendizado é relacionado a desestrutura ou à incompetência da família em realizar seu papel de apoio pedagógico.

Será que os autores deste curso de orientação aos professores nunca ouviram falar em democracia, diálogo, parceria, vínculo afetivo, roda de conversa e outros vocábulos e práticas que devem fazer parte numa relação entre pais, mestres e alunos?

Reunião Pedagógica com os pais? Sugiro que comecem mudando o nome. Chamem de Encontro uma vez que o termo “encontrar”, faz referência a “achar” – respostas, soluções ou problemas no campo que nos ocupa -, deriva da verbalização da expressão in contra. Assim, ”encontrar” é, literalmente, “topar com algo”. (Oculto das Palavras – Dicionário etimológico para ensinar e aprender)

Aproveitem para criar um canal de comunicação entre um ENCONTRO e outro e acolham os palpites e desejos dos pais sobre os assuntos a serem discutidos para que os três personagens, juntos, aprendam e convivam com a construção de um presente mais pacífico, mais humano e mais participativo.

O tipo de Reunião Pedagógica preconizada pelo curso de orientação e formação de professores é, sem dúvida, um grande alimentador e perpetuador deste sistema de ensino elitista que vigora em nosso país desde o século XIX.

Colocar sobre a família e o seu membro mais novo a responsabilidade pelo aprendizado e desenvolvimento do educando é a melhor maneira de continuarmos a ter um sistema educacional exclusivo que descarta anualmente três milhões de jovens estudantes para fora da escola. Este sistema perpetua a filosofia “filho de peixe, peixinho é”, assim como enche de carros último tipo e caríssimos os estacionamentos das universidades públicas e de carros velhos e ônibus as ruas das faculdades particulares.

Convocar a família para uma Reunião Pedagógica e dizer a ela que é necessário se estruturar, se modificar, se ajustar e se capacitar para auxiliar e acompanhar o aprendizado do filho, pois, caso contrário, sem os três pés equilibrados nada poderá ser feito, assemelha-se ao gesto de Pôncio Pilatos que “mandando vir água, lavou as mãos diante da multidão e declarou: Sou inocente deste sangue, isso é lá convosco”. (Mateus 27:24).

Quem sabe esta é uma versão século XXI da crucificação de nossas crianças e adolescentes em nome da não aceitação do modus operandi da nova família que ora se configura.

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Aislan Munin
Pai da Liz. Membro cooperado do Portal da Educadora, Estudou Ciências Sociais na PUCSP e FESPSP, autodidata em Sistemas Web, uniu as duas áreas trabalhando como sócio-educador lecionando Introdução a Informática.