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Escola oficial – Como intervir?
23 de abril de 2019

Encerrei o mês de agosto assistindo o seminário Aprendizagem Viva. Falas interessantes, provocadoras, experiências inovadoras. Aprendi muito, mas, o que mais me tocou foi o confronto entre o que via e ouvia e o que vivi e vivo nas comunidades escolares – municipais e estaduais – que atendem a classe média baixa e os mais desfavorecidos, as chamadas “escolas coloniais”, péssimas, desatualizadas, opressoras e muitos outros adjetivos.

As escolas públicas, em sua maioria, estão engessadas em práticas que, de alguma forma garantem a escolaridade mínima que a sociedade deseja e cobra da instituição escola. Os educadores dessas instituições encontram-se na berlinda, já não sabem o que lhes compete. A mídia diz, em alto e bom tom, que a escola não educa, que função da escola é ensinar os conteúdos. O professor, em sua maioria, repete esse discurso e acredita que repassar conteúdo é a essência de seu fazer pedagógico. Politizar, nem pensar! Tudo isso é questionável? Sem dúvida.

As crianças e adolescentes que frequentam essas instituições, em grande número, são de comunidades de risco. Se não forem para a escola oficial frequentarão as escolas livres de sua comunidade, cujo currículo mínimo é lesar o outro, ganhar mais dinheiro, divertir-se, “curtir”. Por que será que as políticas públicas estão investindo na escola integrada, na ampliação do tempo escolar? O objetivo é retirar as crianças das ruas, oferecer-lhes um ambiente mais saudável.

É no convívio com o outro que se aprende. Todos somos educadores. Educa-se inconscientemente ou propositalmente, de forma livre, opressora, sedutora, manipuladora, responsável.

Aí vem o discurso da desescolarização, da inteira liberdade da família de assumir por conta própria a educação continuada de seus filhos. Perfeito para algumas famílias, alguns grupos. Para outras e outros que conheço, me arrepio, já vejo o arrebanhamento do narcotráfico.

Com o avanço tecnológico, a escola oficial ficou ainda mais retrógrada. O que fazer para ajudá-la a ganhar “cara nova”? A torná-la em verdadeiro espaço educativo?

Muitos grupos estão se organizando e as redes educativas proliferam-se. Quais estão voltados para somar e ajudar gestores e professores? Quais estão voltados para pensar com as secretarias de educação – municipais e estaduais – formas diferenciadas de gerir o tempo e o espaço escolar, de favorecer o trabalho intersérie, a aprendizagem autônoma, os projetos comunitários que exigem liberdade de ação?

 Poderão me perguntar: “O que você tem feito? ” Muito pouco. Uma andorinha sozinha não faz verão. Uma voz isolada altera quase nada.

 É hora de ajudar, ir além da crítica ou do simplesmente virar as costas. Pensar além dos nossos filhos. Intervir de forma organizada, planejada, envolvendo toda a comunidade, criando o “bairro educador”.

Encerrei o mês de agosto assistindo o seminário Aprendizagem Viva. Falas interessantes, provocadoras, experiências inovadoras. Aprendi muito, mas, o que mais me tocou foi o confronto entre o que via e ouvia e o que vivi e vivo nas comunidades escolares –

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Aislan Munin
Pai da Liz. Membro cooperado do Portal da Educadora, Estudou Ciências Sociais na PUCSP e FESPSP, autodidata em Sistemas Web, uniu as duas áreas trabalhando como sócio-educador lecionando Introdução a Informática.