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Há esperança
23 de abril de 2019

Aconteceu nesse mês de junho, em uma escola pública na grande BH, região de alto risco, onde todo cuidado é pouco, mas onde existem pessoas que fazem a diferença.

Alunos do nono ano, professor de Matemática e supervisora são os personagens do fato.

O professor de Matemática criou uma relação de parceria, de respeito, de sorrisos e de verdade com seus alunos, em especial com o nono ano. Regras foram construídas e vêm sendo respeitadas sem nenhum problema até que uma delas colocou o professor na berlinda.

O primeiro horário é às treze horas. Em geral, às doze e trinta os jovens já estão no aguardo da entrada, porém sem pressa. O bate papo e a rede social nos celulares são prioridades. Foi acordado, entre esse professor e seus alunos, que o acesso à sala de aula se daria até às treze e dez, nem um minuto a mais. Após esse horário, só com o aval da supervisora que seria a responsável pela análise da causa do atraso.

Felizmente ou infelizmente aconteceu um imprevisto com o professor. Para chegar à escola, ele tem que passar pela BR que, naquele dia, estava tumultuada. Assim, ele, que nunca havia se atrasado, chegou minutos após o sinal. Apressado, correu para o segundo andar buscando chegar à sua turma e … surpresa! Os alunos estavam fora da sala, no corredor, aguardando-o com a hora na mão, muitos sorrisos e olhos brilhantes, autônomos. Era hora do teste do respeito aos combinados por parte da “autoridade”.

– Professor, você não pode entrar, são uma e doze!

A supervisora, que vinha chegando para entender o tumulto, fez menção de intervir e colocar o professor para dentro de sala, quando este replicou:

– Eles têm razão. É essa a regra. Devo ir até a Coordenação explicar meu atraso e solicitar ingresso à classe.

Vibração geral!

E assim foi. Afinal, o combinado não sai caro. As regras são coletivas, construídas democraticamente, sendo válidas para todos.

Dentro da nossa cultura, seria fácil para esse professor simplesmente entrar em sala e dizer “ sou o professor e as regras são para vocês”, ainda mais sendo professor de Matemática, mas ele assumiu vivenciar a cidadania, a ética, o compromisso, o respeito, a parceria.

Foi a melhor aula desse mês de junho, uma réstia de luz numa porta que se atreve a se destrancar.

 

 

Aconteceu nesse mês de junho, em uma escola pública na grande BH, região de alto risco, onde todo cuidado é pouco, mas onde existem pessoas que fazem a diferença. Alunos do nono ano, professor de Matemática e supervisora são os personagens do fato. O pr

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Aislan Munin
Pai da Liz. Membro cooperado do Portal da Educadora, Estudou Ciências Sociais na PUCSP e FESPSP, autodidata em Sistemas Web, uniu as duas áreas trabalhando como sócio-educador lecionando Introdução a Informática.