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Não tem dia marcado para homenagear
24 de abril de 2019

Resolvemos que tem dia pra homenagear. Dia do trabalho, dia do professor, da mãe, do pai, da secretária, da mulher, do “índio”, do soldado constitucionalista, da emancipação do Município, da independência do Brasil, do livro, de Tiradentes etc etc, a list

Resolvemos que tem dia pra homenagear. Dia do trabalho, dia do professor, da mãe, do pai, da secretária, da mulher, do “índio”, do soldado constitucionalista, da emancipação do Município, da independência do Brasil, do livro, de Tiradentes etc etc, a lista é enorme.

Penso que homenagear não é o problema principal. Homenagear faz parte do nosso conviver. Posso fazê-lo todo dia e para quem ou o quê eu deseje. A questão é mais ampla.

Por exemplo: por que alguns homenageados merecem um feriado e outros não? Por que homenagear Tiradentes e não os povos escravizados que, diga-se de passagem, ainda não conseguiram a plena alforria? Por que homenagear a data da Independência e a da proclamação da República e não as datas da Anistia ou do fim das Ditaduras?

Outra coisa: qual o significado das homenagens, além das motivações capitalistas de consumo?

Tenho evitado o “clichê” com as crianças. Procuro homenagear quem ou o que quer que seja compreendendo a importância do fato histórico ou os feitos da vida de uma pessoa na nossa vida atual. Que diferença fez para nós e para a humanidade que esse fato tenha ocorrido ou que essa pessoa tenha deixado um legado de aprendizagem e de mudanças.

Então, também podemos homenagear as pessoas que estão fazendo história neste momento na nossa vida, compreendendo seu significado.

Apenas para ilustrar, dou o exemplo dos “índios” por ser a data mais próxima no calendário. E aproveito para reproduzir a fala de um “índio” o paraense Daniel Monteiro Costa ou Daniel Munduruku: Não se considera um índioesse “apelido horroroso”, mas tem orgulho de ser munduruku, etnia a que pertence. “Só o nome diz o que a gente é”.”

Será que as crianças sabem e entendem a importância que os povos indígenas representaram e representam na história da formação do povo Brasileiro, sua drástica e trágica redução numérica no decorrer da colonização e até hoje? Será que sabem que hoje estão ameaçados de perderem suas terras, que estão sofrendo humilhação por isso e que até já declararam que preferem morrer por homicídio ou suicídio a morrer sem terra pra viver? Compreendem a enorme importância que a terra tem para eles? Ou a diferença entre o que eles chamam de sobreviver, que é o que eles dizem que nós “brancos” fazemos e viver, que é o que eles acreditam que fazem?

Na quarta-feira passada, divulguei entre as crianças um convite para o Festival Nacional da Cultura e Esporte Indígena que ocorre aqui pertinho de Boiçucanga, no Município de Bertioga. A maioria das crianças interessou-se bastante e vai pedir para a família leva-los para conhecer as etnias que virão de várias partes do Brasil. Mas a pergunta que mais me chamou atenção, partiu de um menino: “Eles vão vir pelados, professora?”

Fiquei pasma com sua ignorância sobre o assunto! E mais pasma ainda com a resposta que os demais deram em coro, antes mesmo que tivesse oportunidade de formular minha resposta pessoal: “Dãhã! Você acha que eles vão vir pelados aqui? Muitos nem vivem mais pelados nas aldeias! Isso foi quando os Portugueses chegaram aqui! Cê tá atrasado, João!”

Fiquei muito orgulhosa deles! Professora coruja é assim. Mas também me incluo nesse orgulho. E é disso que estava falando quando afirmo que ao longo destes dois últimos anos com esta turma, tenho evitado “clichês”.

Neste texto quero, então, me homenagear e a essa turminha genial e não tenho data marcada. Ela é feita sempre que fatos como esses acontecem no nosso cotidiano.

Resolvemos que tem dia pra homenagear. Dia do trabalho, dia do professor, da mãe, do pai, da secretária, da mulher, do “índio”, do soldado constitucionalista, da emancipação do Município, da independência do Brasil, do livro, de Tiradentes etc etc, a lista é enorme.

Penso que homenagear não é o problema principal. Homenagear faz parte do nosso conviver. Posso fazê-lo todo dia e para quem ou o quê eu deseje. A questão é mais ampla.

Por exemplo: por que alguns homenageados merecem um feriado e outros não? Por que homenagear Tiradentes e não os povos escravizados que, diga-se de passagem, ainda não conseguiram a plena alforria? Por que homenagear a data da Independência e a da proclamação da República e não as datas da Anistia ou do fim das Ditaduras?

Outra coisa: qual o significado das homenagens, além das motivações capitalistas de consumo?

Tenho evitado o “clichê” com as crianças. Procuro homenagear quem ou o que quer que seja compreendendo a importância do fato histórico ou os feitos da vida de uma pessoa na nossa vida atual. Que diferença fez para nós e para a humanidade que esse fato tenha ocorrido ou que essa pessoa tenha deixado um legado de aprendizagem e de mudanças.

Então, também podemos homenagear as pessoas que estão fazendo história neste momento na nossa vida, compreendendo seu significado.

Apenas para ilustrar, dou o exemplo dos “índios” por ser a data mais próxima no calendário. E aproveito para reproduzir a fala de um “índio” o paraense Daniel Monteiro Costa ou Daniel Munduruku: Não se considera um índioesse “apelido horroroso”, mas tem orgulho de ser munduruku, etnia a que pertence. “Só o nome diz o que a gente é”.”

Será que as crianças sabem e entendem a importância que os povos indígenas representaram e representam na história da formação do povo Brasileiro, sua drástica e trágica redução numérica no decorrer da colonização e até hoje? Será que sabem que hoje estão ameaçados de perderem suas terras, que estão sofrendo humilhação por isso e que até já declararam que preferem morrer por homicídio ou suicídio a morrer sem terra pra viver? Compreendem a enorme importância que a terra tem para eles? Ou a diferença entre o que eles chamam de sobreviver, que é o que eles dizem que nós “brancos” fazemos e viver, que é o que eles acreditam que fazem?

Na quarta-feira passada, divulguei entre as crianças um convite para o Festival Nacional da Cultura e Esporte Indígena que ocorre aqui pertinho de Boiçucanga, no Município de Bertioga. A maioria das crianças interessou-se bastante e vai pedir para a família leva-los para conhecer as etnias que virão de várias partes do Brasil. Mas a pergunta que mais me chamou atenção, partiu de um menino: “Eles vão vir pelados, professora?”

Fiquei pasma com sua ignorância sobre o assunto! E mais pasma ainda com a resposta que os demais deram em coro, antes mesmo que tivesse oportunidade de formular minha resposta pessoal: “Dãhã! Você acha que eles vão vir pelados aqui? Muitos nem vivem mais pelados nas aldeias! Isso foi quando os Portugueses chegaram aqui! Cê tá atrasado, João!”

Fiquei muito orgulhosa deles! Professora coruja é assim. Mas também me incluo nesse orgulho. E é disso que estava falando quando afirmo que ao longo destes dois últimos anos com esta turma, tenho evitado “clichês”.

Neste texto quero, então, me homenagear e a essa turminha genial e não tenho data marcada. Ela é feita sempre que fatos como esses acontecem no nosso cotidiano.

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Aislan Munin
Pai da Liz. Membro cooperado do Portal da Educadora, Estudou Ciências Sociais na PUCSP e FESPSP, autodidata em Sistemas Web, uniu as duas áreas trabalhando como sócio-educador lecionando Introdução a Informática.