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O bando
24 de abril de 2019

O bando não é o grupo dos melhores amigos. Não é a turma, nem a multidão. O bando não existe antes nem depois da ação que o constitui. O bando aparece quando a criança cai de cabeça no parquinho. Quando alguém encontra nascentes de rio brotando do lixo e

O bando não é o grupo dos melhores amigos. Não é a turma, nem a multidão.
O bando não existe antes nem depois da ação que o constitui.

O bando aparece quando a criança cai de cabeça no parquinho.
Quando alguém encontra nascentes de rio brotando do lixo entulhado.
Quando as ruas entardecem repletas.
Quando alguém nasce. 
Quando alguém agoniza.
Quando alguém precisa.
O bando é uma configuração.
Dizem que é retrocesso ver no bando humanidade.
Dizem que é melhor se organizar. Garantir a cada um as condições de não precisar do bando, essa coisa primitiva, precária, incerta.
Então o plano de saúde, o hospital, o celular do médico, a cirurgia agendada. A mulher não precisa urrar de dor de parto. Nem de dor. Nem de parto.
O bando perde a função. E a condição de possibilidade.
Então os hospícios, abrigos, a prisão, as escolas, o sindicato, a herança, a sedação.
Uma pessoa amanhece na rua, com fome e sem banho e as outras passam por ela, no caminho entre a estação e o escritório.
O bando não se configura.
Porque se o bando pode ser humano, o sujeito de direitos não.

O bando não é o grupo dos melhores amigos. Não é a turma, nem a multidão.
O bando não existe antes nem depois da ação que o constitui.

O bando aparece quando a criança cai de cabeça no parquinho.
Quando alguém encontra nascentes de rio brotando do lixo entulhado.
Quando as ruas entardecem repletas.
Quando alguém nasce. 
Quando alguém agoniza.
Quando alguém precisa.
O bando é uma configuração.
Dizem que é retrocesso ver no bando humanidade.
Dizem que é melhor se organizar. Garantir a cada um as condições de não precisar do bando, essa coisa primitiva, precária, incerta.
Então o plano de saúde, o hospital, o celular do médico, a cirurgia agendada. A mulher não precisa urrar de dor de parto. Nem de dor. Nem de parto.
O bando perde a função. E a condição de possibilidade.
Então os hospícios, abrigos, a prisão, as escolas, o sindicato, a herança, a sedação.
Uma pessoa amanhece na rua, com fome e sem banho e as outras passam por ela, no caminho entre a estação e o escritório.
O bando não se configura.
Porque se o bando pode ser humano, o sujeito de direitos não.

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Aislan Munin
Pai da Liz. Membro cooperado do Portal da Educadora, Estudou Ciências Sociais na PUCSP e FESPSP, autodidata em Sistemas Web, uniu as duas áreas trabalhando como sócio-educador lecionando Introdução a Informática.