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O MACHISMO NA PUBLICIDADE: Perfume vs. Desinfetante
22 de abril de 2019

Cerca de 20 dias atrás, o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) abriu um processo ético para analisar o comercial da essência “Egeo 7 Tentações”, da marca “O Boticário”, lançado por ocasião do Dia dos Namorados [1]. Neste comercial

Cerca de 20 dias atrás, o Conar (Conselho Nacional de Auto Regulamentação Publicitária) abriu um processo ético para analisar o comercial da essência “Egeo 7 Tentações”, da marca “O Boticário”, lançado por ocasião do Dia dos Namorados [1]. Neste comercial, embora a imprensa tenha alardeado sobre a presença de “casais gays”, qualquer pessoa nota que a referência visual à homoafetividade é apenas subliminar, sem nenhum ato de afeição explícito:

(Vídeo 1: http://youtu.be/hAlLEv4GYj4)

Pelo Conar [2] já foram julgados mais de 8.000 casos desde 1978, 79 deles nos primeiros quatro meses desse ano. Entretanto grande parte destes processos são arquivados [3] e não vemos avanços em relação a preconceitos  inerentes em alguns segmentos.  Apesar do baixo índice de reclamações sobre a publicidade dos produtos de limpeza [4], me recuso a acreditar que mais ninguém ache problemático o machismo intrínseco a alguns destes comerciais, por exemplo.

(Vídeo 2: https://youtu.be/VRLAlZkPD60)

Grande parte dos comerciais do ramo se direcionam unicamente ao público feminino. Quer dizer, se o racismo da Bombril no Facebook, em abril deste ano, foi facilmente detectado pelos internautas [5], não deve ser tão difícil perceber que essa representação excessiva do "doméstico" como tarefa exclusivamente feminina em nada contribui para reverter as estatísticas das horas dedicadas pelo gênero feminino às atividades de manutenção do lar que chega a ser 2,5 vezes maior que a do gênero masculino.” [6]

Décadas de luta feminista pela igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres conseguiram muitos avanços, mas a mídia continua ensinando meninos e meninas que é só delas o dever de lavar a roupa suja da casa inteira. Há uma mentalidade machista no meio publicitário que precisa de mudanças urgentes nesse conceito e, infelizmente, não apenas em comercial de produtos de limpeza.

Não há nada que comprove que as vendas caem quando empresas, de qualquer lugar do mundo, rompem com um paradigma tão claramente conservador. A Boticário, aliás, provou exatamente o contrário [7]. Só resta torcer para que mais paradigmas sejam quebrados, por todos os lados, e principalmente onde ele se mostrar mais resistente.

 

Notas:

[1]http://f5.folha.uol.com.br/voceviu/2015/06/1637409-conar-abre-processo-sobre-comercial-de-o-boticario-com-casais-gays-apos-30-reclamacoes.shtml

[2] http://www.conar.org.br/

[3] Estatísticas do Conar, considerando a média de arquivamento dos últimos cinco anos (mínima de 35% em 2010 e 2011; máxima de 41% no ano passado).

[4] Estatísticas do Conar: taxa de reclamações sobre produtos de limpeza no ano passado (1,9%) foi a menor dos últimos cinco anos (4,1% em 2013; 4,2% em 2012; 4% em 2011; 2,66% em 2010).

[5]http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/04/28/internautas-atacam-anuncio-da-bombril-com-domestica-negra-empresa-contesta.htm

[6]http://www.brasildefato.com.br/node/12241

[7]http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/06/vendas-de-o-boticario-aumentam-apos-boicote-evangelico.html

Cerca de 20 dias atrás, o Conar (Conselho Nacional de Auto Regulamentação Publicitária) abriu um processo ético para analisar o comercial da essência “Egeo 7 Tentações”, da marca “O Boticário”, lançado por ocasião do Dia dos Namorados [1]. Neste comercial, embora a imprensa tenha alardeado sobre a presença de “casais gays”, qualquer pessoa nota que a referência visual à homoafetividade é apenas subliminar, sem nenhum ato de afeição explícito:

(Vídeo 1: http://youtu.be/hAlLEv4GYj4)

Pelo Conar [2] já foram julgados mais de 8.000 casos desde 1978, 79 deles nos primeiros quatro meses desse ano. Entretanto grande parte destes processos são arquivados [3] e não vemos avanços em relação a preconceitos  inerentes em alguns segmentos.  Apesar do baixo índice de reclamações sobre a publicidade dos produtos de limpeza [4], me recuso a acreditar que mais ninguém ache problemático o machismo intrínseco a alguns destes comerciais, por exemplo.

(Vídeo 2: https://youtu.be/VRLAlZkPD60)

Grande parte dos comerciais do ramo se direcionam unicamente ao público feminino. Quer dizer, se o racismo da Bombril no Facebook, em abril deste ano, foi facilmente detectado pelos internautas [5], não deve ser tão difícil perceber que essa representação excessiva do "doméstico" como tarefa exclusivamente feminina em nada contribui para reverter as estatísticas das horas dedicadas pelo gênero feminino às atividades de manutenção do lar que chega a ser 2,5 vezes maior que a do gênero masculino.” [6]

Décadas de luta feminista pela igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres conseguiram muitos avanços, mas a mídia continua ensinando meninos e meninas que é só delas o dever de lavar a roupa suja da casa inteira. Há uma mentalidade machista no meio publicitário que precisa de mudanças urgentes nesse conceito e, infelizmente, não apenas em comercial de produtos de limpeza.

Não há nada que comprove que as vendas caem quando empresas, de qualquer lugar do mundo, rompem com um paradigma tão claramente conservador. A Boticário, aliás, provou exatamente o contrário [7]. Só resta torcer para que mais paradigmas sejam quebrados, por todos os lados, e principalmente onde ele se mostrar mais resistente.

 

Notas:

[1]http://f5.folha.uol.com.br/voceviu/2015/06/1637409-conar-abre-processo-sobre-comercial-de-o-boticario-com-casais-gays-apos-30-reclamacoes.shtml

[2] http://www.conar.org.br/

[3] Estatísticas do Conar, considerando a média de arquivamento dos últimos cinco anos (mínima de 35% em 2010 e 2011; máxima de 41% no ano passado).

[4] Estatísticas do Conar: taxa de reclamações sobre produtos de limpeza no ano passado (1,9%) foi a menor dos últimos cinco anos (4,1% em 2013; 4,2% em 2012; 4% em 2011; 2,66% em 2010).

[5]http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/04/28/internautas-atacam-anuncio-da-bombril-com-domestica-negra-empresa-contesta.htm

[6]http://www.brasildefato.com.br/node/12241

[7]http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/06/vendas-de-o-boticario-aumentam-apos-boicote-evangelico.html

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Aislan Munin
Pai da Liz. Membro cooperado do Portal da Educadora, Estudou Ciências Sociais na PUCSP e FESPSP, autodidata em Sistemas Web, uniu as duas áreas trabalhando como sócio-educador lecionando Introdução a Informática.