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Os jogos
23 de abril de 2019

A vida em sociedade é cheia de regras, de confrontos, de tarefas. Mesmo a criança pequena tem hora para se alimentar, hora de dormir e hora do banho. À medida que cresce, as tarefas sociais aumentam: ir para a escola, fazer o dever de casa, estudar, passar de ano e tantas outras. A vida adulta é sobrecarregada de afazeres, de obrigações, conflitos, tristezas e alegrias.

E o que faz o ser humano suportar tantas tensões?

Ora, a vida nos deu o divertimento do jogo, inexplicável, que antecede a cultura e a civilização. Vem antes, com a vida animal: os animais brincam, sempre brincaram. O homem, como espécie animal, também brinca, se excita, se fascina, se envolve intensamente em qualquer jogo ou brincadeira.

É por meio dos jogos que se descarrega o excesso de energia, que se prepara o corpo para uma série de outras atividades, que se compensam insatisfações e, simplesmente, se entregam ao prazer.

O jogo, como parte de uma cultura, possui algumas características formais:

1. é uma atividade temporária, é um intervalo na vida cotidiana, um diferencial;

2. é uma função cultural – dá satisfação a todo tipo de ideais comunitários;

3. é limitado – começa e termina, tem tempo marcado;

4. cria ordem e é ordem – todo jogo tem suas regras. São elas que determinam o que vale. Desrespeitá-las estraga o jogo.

5. é livre, exterior à vida habitual.

Os jogos são atividades importantes para o desenvolvimento cognitivo e moral das crianças, quando utilizados objetivando essa conquista.

Exigem trabalho centrado na autonomia, na atenção, na iniciativa e na coordenação de diferentes fatores. Além disso, permitem e exigem que a criança avalie o seu desempenho na perspectiva de sair-se bem. Permitem ao professor acompanhar, analisar e interferir no raciocínio dos jogadores, ao comparar jogadas e ao solicitar esclarecimentos sobre outras.

Por fazer parte do cotidiano, o jogo ajuda na conquista da autonomia moral. Durante a anomia, as crianças desconhecem as regras. Na realidade, elas não jogam, apenas brincam. Ao se tornarem heterônomas, descobrem o outro, gostam de regras e exigem-nas mesmo que, em alguns momentos, possam violá-las, o que é reprimido pelos parceiros. Na autonomia, as regras são interiorizadas, conscientes, o que exige aprimoramento intelectual.

O jogo de regra é importantíssimo para o desenvolvimento da autonomia moral. É através dele que as crianças constroem as relações de parceria, de respeito, além de desenvolver a capacidade perceptiva e crítica frente aos demais jogadores.

Os jogos de regras são situações privilegiadas nos campos afetivo, social e cognitivo. No campo afetivo, a criança aprende a lidar com o ciúme, a inveja, a frustração; no social, a conviver com os outros, a cooperar, a ser solidária, pensar e agir junto com outro(s); no cognitivo, há a necessidade constante de pensar, analisar, construir novas e melhores estratégias para jogar, descobrir e superar erros.

Exige capacidade de atuar sozinho, com iniciativa, agindo e reagindo a estímulos próprios dos jogos. Como implica em ação, ao participar de um jogo, a criança passa por uma etapa de adaptação e reconhecimento. O professor deve estar preparado para solicitar da criança respostas ou soluções que ela já é capaz de apresentar.

Jogo educativo

O jogo educativo busca uma relação mediadora entre o lúdico e o educativo. Há de se unir diversão e prazer com o ato de aprender.  A atividade lúdica pode ser vista sob dois sentidos:

Amplo: como material ou situação que permite a livre exploração em recintos organizados pelo professor, visando ao desenvolvimento geral da criança.

Restrito: como material ou situação que exige ações orientadas com vistas à aquisição ou treino de conteúdos específicos ou de habilidades intelectuais.

No sentido restrito, o jogo educativo é denominado jogo didático.

Em qualquer jogo, três pontos estarão sempre presentes:

a. uma situação-problema;

b. um resultado;

c. um conjunto de regras que determinem os limites dentro dos quais os aspectos a e b acima descritos serão considerados.

O desafio que se propõe ao jogador é encontrar meios que o levem à vitória. Ao enfrentá-lo, o jogador deverá considerar, em cada jogada, diferentes possibilidades e eliminar as que prejudicam o alcance do resultado.

Ganhando ou perdendo, é necessária a explicitação do que fez, ou não se fez, para obtenção do resultado.

A análise das jogadas favorece à compreensão do porquê do erro. A má jogada pode ser inferida pela criança a partir dos resultados que produz. Cabe ao professor analisar, com ela, as razões das jogadas ruins e estimulá-la a inventar ou descobrir jogadas melhores. Tornar o erro um observável para a criança é difícil e importante. É difícil à medida que, naquele momento, a criança não consegue perceber por si mesma. É importante porque, somente percebendo, ela conseguirá enfrentar e resolver a situação.

Ao jogar com outros, ao analisar e comparar jogadas, ela se confrontará com situações diferentes daquelas que propôs e até mesmo antagônicas a elas, tendo oportunidade, então, de refazer o seu processo.

A vida em sociedade é cheia de regras, de confrontos, de tarefas. Mesmo a criança pequena tem hora para se alimentar, hora de dormir e hora do banho. À medida que cresce, as tarefas sociais aumentam: ir para a escola, fazer o dever de casa, estudar, passa

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Aislan Munin
Pai da Liz. Membro cooperado do Portal da Educadora, Estudou Ciências Sociais na PUCSP e FESPSP, autodidata em Sistemas Web, uniu as duas áreas trabalhando como sócio-educador lecionando Introdução a Informática.