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Professores Ludocriativos
24 de abril de 2019

A criatividade, o imaginário, a curiosidade, a descoberta e o lúdico das crianças ao invés de serem incentivadas e permitidas às crianças têm sido esbarradas nas ações reguladoras dos adultos – “larga, não pode”, “aqui não é lugar para isso, se comporta c

A criatividade, o imaginário, a curiosidade, a descoberta e o lúdico das crianças ao invés de serem incentivadas e permitidas às crianças têm sido esbarradas nas ações reguladoras dos adultos – “larga, não pode”, “aqui não é lugar para isso, se comporta como um mocinho (a) grandinho”, “isso serve para outra coisa”.

A relação lúdica e imaginativa que as crianças estabelecem com os espaços, objetos atribuindo-lhes novas funções e significados são vistos pelos adultos como transgressões e ações não permitidas.

Episódios como o relatado abaixo são corriqueiros no dia-a-dia da vida cotidiana e na rotina diária das escolas de educação infantil.

“-Achei uma agulha! Diz a menina.

-Não está vendo que isso é um galho, larga isso! – diz a mãe em tom de reprovação.

A menina, não satisfeita com a atitude de sua mãe, pega o pedaço de galho do chão e faz o movimento de uma agulha que costura a sua blusa.

-Está vendo, mãe, costura!

-Pára de besteira, menina, vamos embora, você está atrasada para a escola!”

(Episódio presenciado na cidade de Carapicuíba – 23 de agosto de 2007)

A atitude da mãe desta menina explicita a não compreensão do mundo da fantasia e ludicidade de sua filha ao dizer que aquilo não é uma agulha e sim um pedaço de galho caído de uma árvore. Essa atitude evidencia a dificuldade dos adultos em compreenderem que os objetos podem ser transformados e (re)criados adotando novas funções e significados de acordo com o imaginário de cada um. Há também uma dificuldade em aceitar outras formas de expressão e manifestação que sejam diferentes das dos adultos.

O fato de não se permitir a ação lúdica, imaginativa e criativa das crianças nos espaços e com os objetos significa não deixar que construam o seu conhecimento aprendendo com liberdade a partir de seus próprios interesses movidos pelo prazer da curiosidade e descoberta.

Para que os professores compreendam e permitam essas formas de ações e relações das crianças com os espaços e objetos e construções de aprendizagem e conhecimento se faz necessário se tornarem professores ludocriativos.

Os professores deveriam ficar por horas, dias, semanas somente observando o brincar das crianças de forma a adentrar em seus mundos e culturas que lhes são tão próprias. Desta forma aprenderiam com as crianças para resgatar a criatividade e a ludicidade de outrora, dos tempos de infância e, assim incorporá-las em sua prática educativa.

Não, não será uma perda de tempo passar horas, dias somente a observar as crianças. Encare como parte sua formação profissional. Se você acha que não é perda de tempo ir para congressos, cursos de especializações, faculdades, cursos de formação, não pode também achar uma perda de tempo somente observar as crianças porque estará aprendendo também.

Não podemos achar que aprendemos somente com os adultos. Neste aspecto da ludicidade e criatividade as crianças sabem muito mais que qualquer adulto porque elas estão a viver estas duas dimensões intensamente no aqui e agora em seu tempo presente.

Para as crianças os espaços, objetos são o contexto de suas brincadeiras e criações, já para os adultos é apenas um pretexto para atingir uma determinada finalidade como morar, comer, trabalhar, etc.

Se os professores se tornassem ludocriativos teriam os olhares atentos a todos os detalhes, como as crianças passariam a enxergar em todo e qualquer objeto, situação, espaço um contexto de aprendizagem de forma a tornar o conhecimento prazeroso.

Com a criatividade e a ludicidade, sendo ludocriativos, os professores poderão extrapolar e ampliar os espaços de aprendizagem para além da sala de aula e, em um passeio urbano pelo bairro com as crianças poderiam enxergar conhecimentos e aprendizagens nas árvores, na feira, na poça d´água, nas placas de sinalização, nos carros, etc.

Assim como as crianças enxergam no galho de árvore uma agulha o professor ludocriativo pode enxergar na poça d´água todas as áreas do conhecimento para trabalhar com as crianças: ciência, matemática, geografia a partir do reflexo da imagem, de como se formam as chuvas, das formas que se formam ao jogarmos objetos na poça, etc.

A criatividade, o imaginário, a curiosidade, a descoberta e o lúdico das crianças ao invés de serem incentivadas e permitidas às crianças têm sido esbarradas nas ações reguladoras dos adultos – “larga, não pode”, “aqui não é lugar para isso, se comporta como um mocinho (a) grandinho”, “isso serve para outra coisa”.

A relação lúdica e imaginativa que as crianças estabelecem com os espaços, objetos atribuindo-lhes novas funções e significados são vistos pelos adultos como transgressões e ações não permitidas.

Episódios como o relatado abaixo são corriqueiros no dia-a-dia da vida cotidiana e na rotina diária das escolas de educação infantil.

“-Achei uma agulha! Diz a menina.

-Não está vendo que isso é um galho, larga isso! – diz a mãe em tom de reprovação.

A menina, não satisfeita com a atitude de sua mãe, pega o pedaço de galho do chão e faz o movimento de uma agulha que costura a sua blusa.

-Está vendo, mãe, costura!

-Pára de besteira, menina, vamos embora, você está atrasada para a escola!”

(Episódio presenciado na cidade de Carapicuíba – 23 de agosto de 2007)

A atitude da mãe desta menina explicita a não compreensão do mundo da fantasia e ludicidade de sua filha ao dizer que aquilo não é uma agulha e sim um pedaço de galho caído de uma árvore. Essa atitude evidencia a dificuldade dos adultos em compreenderem que os objetos podem ser transformados e (re)criados adotando novas funções e significados de acordo com o imaginário de cada um. Há também uma dificuldade em aceitar outras formas de expressão e manifestação que sejam diferentes das dos adultos.

O fato de não se permitir a ação lúdica, imaginativa e criativa das crianças nos espaços e com os objetos significa não deixar que construam o seu conhecimento aprendendo com liberdade a partir de seus próprios interesses movidos pelo prazer da curiosidade e descoberta.

Para que os professores compreendam e permitam essas formas de ações e relações das crianças com os espaços e objetos e construções de aprendizagem e conhecimento se faz necessário se tornarem professores ludocriativos.

Os professores deveriam ficar por horas, dias, semanas somente observando o brincar das crianças de forma a adentrar em seus mundos e culturas que lhes são tão próprias. Desta forma aprenderiam com as crianças para resgatar a criatividade e a ludicidade de outrora, dos tempos de infância e, assim incorporá-las em sua prática educativa.

Não, não será uma perda de tempo passar horas, dias somente a observar as crianças. Encare como parte sua formação profissional. Se você acha que não é perda de tempo ir para congressos, cursos de especializações, faculdades, cursos de formação, não pode também achar uma perda de tempo somente observar as crianças porque estará aprendendo também.

Não podemos achar que aprendemos somente com os adultos. Neste aspecto da ludicidade e criatividade as crianças sabem muito mais que qualquer adulto porque elas estão a viver estas duas dimensões intensamente no aqui e agora em seu tempo presente.

Para as crianças os espaços, objetos são o contexto de suas brincadeiras e criações, já para os adultos é apenas um pretexto para atingir uma determinada finalidade como morar, comer, trabalhar, etc.

Se os professores se tornassem ludocriativos teriam os olhares atentos a todos os detalhes, como as crianças passariam a enxergar em todo e qualquer objeto, situação, espaço um contexto de aprendizagem de forma a tornar o conhecimento prazeroso.

Com a criatividade e a ludicidade, sendo ludocriativos, os professores poderão extrapolar e ampliar os espaços de aprendizagem para além da sala de aula e, em um passeio urbano pelo bairro com as crianças poderiam enxergar conhecimentos e aprendizagens nas árvores, na feira, na poça d´água, nas placas de sinalização, nos carros, etc.

Assim como as crianças enxergam no galho de árvore uma agulha o professor ludocriativo pode enxergar na poça d´água todas as áreas do conhecimento para trabalhar com as crianças: ciência, matemática, geografia a partir do reflexo da imagem, de como se formam as chuvas, das formas que se formam ao jogarmos objetos na poça, etc.

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Aislan Munin
Pai da Liz. Membro cooperado do Portal da Educadora, Estudou Ciências Sociais na PUCSP e FESPSP, autodidata em Sistemas Web, uniu as duas áreas trabalhando como sócio-educador lecionando Introdução a Informática.