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Quando os estudantes gerenciam a cantina da escola
24 de abril de 2019

A cantina do Colégio Viver é completamente administrada por sujeitos de 14 anos. Todos os anos, uns com mais outros com menos sucesso, a turma que se forma no 9º ano do Viver é responsável por gerir a cantina de fevereiro a dezembro, com o objetivo final

A cantina do Colégio Viver é  completamente administrada por sujeitos de 14 anos. Todos os anos, uns com mais outros com menos sucesso, a turma que se forma no 9º ano do Viver é responsável por gerir a cantina de fevereiro a dezembro, com o objetivo final de arrecadar dinheiro suficiente para organização da própria viagem de formatura. Assim, a cantina e a viagem tornam-se oportunidades de exercitar o convívio e a autonomia. “Rep. DiMe” (República dos de menor) foi o apelido dado pela turma que se formou neste ano e que fez um trabalho exemplar, uma cantina de sucesso, uma viagem maravilhosa e, acima de tudo, construíram vínculos profundos de amizades verdadeiras.

Estas criaturas iluminadas aprenderam que a convivência  é a maior forma de aprendizado, pois movimenta  nossos mares internos e exige de nós comunhão entre corpo e mente para impedir que nos afoguemos nas ondas da arrogância e da inveja. Exige-nos braçadas de respeito e confiança para atravessarmos a vida mergulhados nas correntes das amizades.

Aprenderam que o diálogo é a coreografia dos pensamentos que estimula a dança das palavras e possibilita o reconhecimento de EU e TU e, que o pensamento, assim como o amor, é livre, segue o ritmo de qualquer música, da flauta de Dionísio ao pandeiro de Nereu, os formatos que damos a eles são quanto mais livres, mais belos. Aprenderam que as palavras são criaturas que alimentam-se de vínculos, quanto mais dialogamos mais gordas ficam e mais precisam ser cuidadas para que continuem saudáveis. Viram que magia é criar pelo poder da palavra.

Quando estas pessoas de 14 anos responsabilizaram-se juntas pela cantina da escola e pela viagem de formatura, não houve prova que avaliasse o aprendizado desta experiência de grupo. A avaliação se fez por todos, a todo momento, simultaneamente com a experiência, aprendendo e vivendo, errando, corrigindo-se, compreendendo a si mesmo e aos outros através das relações. Ninguém ensinou nada a ninguém e ninguém aprendeu nada sozinho, aprenderam uns com os outros mediatizados pelo mundo, foi nas relações que se deu o aprendizado, na troca transmitiram aquilo que são.

Se tentássemos somar os aprendizados da administração do tempo e do dinheiro, das funções da cozinha, da compra e do preparo dos alimentos, do planejamento do transporte, da escolha do local, da hospedagem e da alimentação da viagem…Tudo se tornaria pequeno diante do aprendizado do convívio social, da administração das relações dos desejos e das expectativas do grupo. Aqueles com quem mais encontraram dificuldade de se relacionar, foram talvez, as pessoas que mais possibilitaram a eles aprender sobre si mesmos, dentro desta tarefa diária do convívio social que nada mais é do que um grande trabalho em grupo. Logo, o melhor para os outros será sempre o melhor para mim, pois a nossa liberdade não termina quando começa a do outro, nossa liberdade começa quando começa a do outro. Tomando as decisões de forma coletiva e organizando-se de forma colaborativa, os estudantes potencializaram uns aos outros, aprenderam juntos e fortaleceram seus vínculos de forma profunda. Vivenciaram e evidenciaram os papéis fundamentais desempenhados por cada um deles para que o grupo se mantivesse unido. Fizeram do exercício do autonomia o exercício do amor.

A cantina do Colégio Viver é  completamente administrada por sujeitos de 14 anos. Todos os anos, uns com mais outros com menos sucesso, a turma que se forma no 9º ano do Viver é responsável por gerir a cantina de fevereiro a dezembro, com o objetivo final de arrecadar dinheiro suficiente para organização da própria viagem de formatura. Assim, a cantina e a viagem tornam-se oportunidades de exercitar o convívio e a autonomia. “Rep. DiMe” (República dos de menor) foi o apelido dado pela turma que se formou neste ano e que fez um trabalho exemplar, uma cantina de sucesso, uma viagem maravilhosa e, acima de tudo, construíram vínculos profundos de amizades verdadeiras.

Estas criaturas iluminadas aprenderam que a convivência  é a maior forma de aprendizado, pois movimenta  nossos mares internos e exige de nós comunhão entre corpo e mente para impedir que nos afoguemos nas ondas da arrogância e da inveja. Exige-nos braçadas de respeito e confiança para atravessarmos a vida mergulhados nas correntes das amizades.

Aprenderam que o diálogo é a coreografia dos pensamentos que estimula a dança das palavras e possibilita o reconhecimento de EU e TU e, que o pensamento, assim como o amor, é livre, segue o ritmo de qualquer música, da flauta de Dionísio ao pandeiro de Nereu, os formatos que damos a eles são quanto mais livres, mais belos. Aprenderam que as palavras são criaturas que alimentam-se de vínculos, quanto mais dialogamos mais gordas ficam e mais precisam ser cuidadas para que continuem saudáveis. Viram que magia é criar pelo poder da palavra.

Quando estas pessoas de 14 anos responsabilizaram-se juntas pela cantina da escola e pela viagem de formatura, não houve prova que avaliasse o aprendizado desta experiência de grupo. A avaliação se fez por todos, a todo momento, simultaneamente com a experiência, aprendendo e vivendo, errando, corrigindo-se, compreendendo a si mesmo e aos outros através das relações. Ninguém ensinou nada a ninguém e ninguém aprendeu nada sozinho, aprenderam uns com os outros mediatizados pelo mundo, foi nas relações que se deu o aprendizado, na troca transmitiram aquilo que são.

Se tentássemos somar os aprendizados da administração do tempo e do dinheiro, das funções da cozinha, da compra e do preparo dos alimentos, do planejamento do transporte, da escolha do local, da hospedagem e da alimentação da viagem…Tudo se tornaria pequeno diante do aprendizado do convívio social, da administração das relações dos desejos e das expectativas do grupo. Aqueles com quem mais encontraram dificuldade de se relacionar, foram talvez, as pessoas que mais possibilitaram a eles aprender sobre si mesmos, dentro desta tarefa diária do convívio social que nada mais é do que um grande trabalho em grupo. Logo, o melhor para os outros será sempre o melhor para mim, pois a nossa liberdade não termina quando começa a do outro, nossa liberdade começa quando começa a do outro. Tomando as decisões de forma coletiva e organizando-se de forma colaborativa, os estudantes potencializaram uns aos outros, aprenderam juntos e fortaleceram seus vínculos de forma profunda. Vivenciaram e evidenciaram os papéis fundamentais desempenhados por cada um deles para que o grupo se mantivesse unido. Fizeram do exercício do autonomia o exercício do amor.

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Aislan Munin
Pai da Liz. Membro cooperado do Portal da Educadora, Estudou Ciências Sociais na PUCSP e FESPSP, autodidata em Sistemas Web, uniu as duas áreas trabalhando como sócio-educador lecionando Introdução a Informática.