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Resistência como ação ou contraposição na Educação?
2 de julho de 2018

“Sala de aula lotada”, “alunos que não aprendem”, “não se interessam”, “alunos que brigam o tempo inteiro”, “salário miserável”, onde estão as condições de trabalho? Quem é professor e não se deparou com essa eterna reclamação dos colegas? De quem vive o cotidiano da escola, não quem fala sobre a escola distante dela. Há muita resistência na educação, contudo, podemos considerar dois ou mais significados para esse termo na educação. Como pode alguém em sã consciência dizer: “eu gosto dos meus alunos, mas eles são insuportáveis” somente na escola isso é possível, mas a raiz dessa dicotomia está além da aparente desmotivação de docentes, ou daqueles que defendem a ordem e o progresso, ou aqueles que pretendem uma escola sem partido. Muitos docentes no cotidiano escolar recorrem à imaginação, à busca de uma autonomia em sua prática, ou seja, resistem a uma série de adversidades, enquanto outros tantos, permanecem resistentes à rotina da sala de aula, ao pretenso controle da disciplina…resistem a reconhecer sua parcela de responsabilidade no processo educacional. Assim, temos uma escola pública, muito controversa,  enquanto alguns buscam o diálogo, outros sequer dão bom dia! Não que bom dia seja uma saudação obrigatória, mas a palavra tem muita força, quando olhamos o colega de trabalho e nos reconhecemos parceiros numa trajetória. Na escola há por vezez uma resistência ao humanismo, valores humanos como: a solidariedade, a responsabilidade, a autonomia parecem distantes de uma prática. Alguns professores resistem a um simples diálogo sobre como transformar sua realidade e sair da resistência a mudança, resistir em outro sentido, mais interessante é não viver das mesma reclamação constante, é fazer a mudança acontecer, Quando? Como? Por quê?. Mudança só se reconhece na prática. Identificado as dificuldades, as potencialidades de cada um, é preciso fazer algo. Esse fazer algo, não significa algo gigante, mas no mínimo mudar as relações dizer Bom dia ! por exemplo, não como obrigação, mas como desejo de que todos tenham um bom dia, e é possível contar com o outro, isso já será um ótimo começo e quiçá o mais importante. É preciso resistir ao negativismo torpe, as deliberações sem diálogo, é preciso unificar a escola,  não apenas opinar sobre as mazelas e mesmices do cotidiano escolas, mas colocar em prática o que foi dialogado, é preciso humanizar as relações, contar o que deu certo, colocar em evidência a prática resistente de uma educação de fato. Isso não se aplica somente aos docentes, mas a todos no contexto escolar, é preciso ter espaços de diálogos na sala de aula, no pátio , na gestão, para alinhar, ouvir os anseios e angústias de todos e também ouvir propostas. Sim, os diálogos devem ser propositivos. É preciso ser resistente para que diálogos sobre a escola, sobre a educação não sejam apenas lamúrias, essas contribuições devem ser propositivas, e aquilo que foi dito de fato ser praticado, para que a descrença não seja uma resistência a tudo, para que unifiquemos nossas falas, e nosso desejo por uma educação de fato democrática e com qualidade social. É preciso estender esse diálogo com a comunidade, pois os problemas da escola, não são somente da escola, são da sociedade, e não podemos assumir sozinhos enquanto docentes o ônus das mazelas sociais, entretanto, ao nos calarmos seremos omissos devemos resistir a isso também. Portanto, que a resistência ao diálogo e às mudanças necessárias, possam dar voz e vez à  educação democrática resistente, por uma busca coletiva e menos individual de alguns docentes, de alguns gestores, de alguns alunos ou pais de alunos.  A escola é um espaço público que pode agregar diferentes pontos de vistas sobre um determinado assunto, está aí a riqueza e valorização da democracia, e devemos resistir a quem de fato não a quer efetivada, portanto, não podemos esquecer que à escola cabe à educação como função primeira e educação não resiste quando não há diálogo, quando olhamos o outro como incapaz, como algo que precisa ser preenchido de conhecimento, sem diálogo: temos imposição e retrocesso. A escola é feita de pessoas.. Pessoas trazem consigo muitos saberes, alguns precisam ser colocados em xeque no diálogo, para que a sociedade não seja xenofóbica, preconceituosa, racista, egoísta… é preciso horizontalizar as relações na escola, é preciso tomar partido na educação, que possamos possibilitar uma educação sem muros.

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Aislan Munin
Pai da Liz. Membro cooperado do Portal da Educadora, Estudou Ciências Sociais na PUCSP e FESPSP, autodidata em Sistemas Web, uniu as duas áreas trabalhando como sócio-educador lecionando Introdução a Informática.